Blog Lynaldo Cavalcanti

Parcerias para a biodiversidade brasileira

22

jun

2017

Com o objetivo de ampliar a competência técnico-científica e a abrangência temática e geográfica das pesquisas em biodiversidade no Brasil, o CNPq está articulando com parceiros o cofinanciamento de uma chamada pública robusta para o fomento a redes de pesquisa em biodiversidade. “A nova ação visa fortalecer a capacidade nacional de gerar conhecimento em escala e de modo mais convergente e integrado, com maior aporte de recursos para pesquisa, formação de recursos humanos e estruturação de base de dados e de gestão do conhecimento sobre a Biodiversidade Brasileira”, salienta o Diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, Marcelo Morales.

Esta iniciativa vai ao encontro dos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica – CDB, incluindo as Metas Nacionais de  Biodiversidade para 2020, buscando incentivar pesquisas que subsidiem o alcance dos objetivos estratégicos para o cumprimento das metas nacionais de Aichi, a saber: a) tratar das causas fundamentais da perda da biodiversidade, fazendo com que as preocupações com a biodiversidade permeiem governos e sociedade; b) reduzir as pressões diretas sobre a biodiversidade e promover o seu uso sustentável; c) melhorar a situação da biodiversidade protegendo ecossistemas, espécies e diversidade genética; d) aumentar os benefícios advindos do conhecimento da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos; e) promover a implementação das metas por meio de planejamento participativo, gestão de  conhecimento e capacitação.

“A ideia leva em conta a posição do Brasil como o país de maior diversidade biológica do mundo, em um contexto de capital natural e de serviços ecossistêmicos essenciais para setores importantes para a economia nacional, tais como agricultura, energia, pesca, silvicultura, extrativismo e saúde. A urgência da continuidade no financiamento de pesquisas na temática considera ainda que embora reconhecida como essencial para o desenvolvimento ambientalmente  sustentável e alicerce para o bem estar humano, a biodiversidade vem enfrentando perdas e ameaças em todos os biomas brasileiros, em um contexto mundial de declínio, abrangendo genes, espécies e ecossistemas, especialmente devido às crescentes pressões sobre a biodiversidade, em grande parte como consequência das ações antrópicas, conforme o Quarto Panorama da Biodiversidade Global”, diz Morales.

O fomento à pesquisa em biodiversidade é considerado estratégico no planejamento das políticas de ciência, tecnologia e inovação, onde o CNPq tem buscado executar de modo articulado o financiamento, a implementação, o acompanhamento e a avaliação de ações de fomento à pesquisa nessa temática, como o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO), o Programa Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (SISBIOTA Brasil), o Programa Plantas do Brasil: Resgate Histórico e Herbário Virtual para o Conhecimento e Conservação da Flora  Brasileira (REFLORA), o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), a Rede Centro Oeste de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (PRÓ-CENTRO-OESTE), a Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (BIONORTE), o Programa de  Capacitação em Taxonomia (PROTAX), o Programa Arquipélago e Ilhas Oceânicas (Proarquipélago).

Conforme a experiência do Programa SISBIOTA Brasil, por exemplo, o fomento à pesquisa integrada em redes reforça uma mudança de paradigma na forma de se fazer ciência e formar cientistas no Brasil, possibilitando a troca de conhecimentos e experiências entre os pesquisadores e alunos, enriquecendo as possibilidades de interação e de aprendizado, bem como os modos de interação com a sociedade, por exemplo, por meio da integração das ações de educação, divulgação, políticas públicas para o uso, conservação e gestão da biodiversidade, entre outros.

A nova ação de fomento buscará apoiar pesquisas em rede em torno da gestão do conhecimento sobre a biodiversidade; apoio à implantação e manutenção de redes de inventário da biota; padrões e processos relacionados à biodiversidade; impactos sobre a biodiversidade (mudanças de uso e cobertura da terra, mudanças climáticas, poluição, sobreuso, efeitos de estradas, alteração de regime  hidrológico, entre outros); relações entre biodiversidade, serviços ecossistêmicos e bem-estar humano; bem como produtos e usos da biodiversidade.

“Também é importante a internacionalização de redes de pesquisa brasileiras em biodiversidade em concordância com a legislação e políticas nacionais, promovendo o fortalecimento da cooperação científica e técnica entre países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica e seguindo os pilares da CDB de conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade. Nesse sentido já conseguimos a importante participação do Fundo Newton para essa chamada e estamos em contato com parceiros de outros países.”, comenta Morales.

¿Ressaltamos que a adesão de cofinanciadores nos distintos estados brasileiros será fundamental, tendo em vista a articulação nacional e o fortalecimento da capacidade regional de pesquisa pretendidos, aprimorando a gestão da biodiversidade também no âmbito estadual. Também estamos articulando com a Capes e programas de pós-graduação, tendo em vista fortalecer a formação de recursos humanos em redes interdisciplinares de pesquisa em Biodiversidade¿, ressalta Morales.

Instituições de fomento à pesquisa e à formação de recursos humanos que tenham interesse no cofinanciamento de propostas poderão solicitar informação e comunicar sua adesão à Diretoria de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, encaminhando mensagem para o endereço dabs@cnpq.br com copia para cgctm@cnpq.br.

O lançamento da Chamada está previsto para julho de 2017.

Coordenação de Comunicação Social do CNPq

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